Um evento chamado “Essência da Facilitação”

Posted on 11/04/2012

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Ontem, dia 09 de abril, ocorreu a abertura e o primeiro evento da HUB Escola de Outono – 2012, o workshop “Essência da Facilitação“.

O que me atraiu no evento foi o fato de estar em um momento da minha vida em que preciso aprimorar e adquirir metodologias e ferramentas que me possibilitem atuar melhor junto a grupos de pessoas, e aprender como ser facilitador e/ou anfitrião faz parte disso.

Mas como diz o ditado, o evento “se saiu melhor que a encomenda” e antes de continuar, coloco que o que vem a seguir diz respeito a minha apreensão do que foi dito, com todas particularidades e idiossincrasias que este fato acarreta.

Não foi um evento fácil, e certamente não foi um evento em que se passou “receitas de bolo”, mas foi um evento em que os facilitadores se propuseram a passar os conceitos básicos que um bom facilitador(a) tem que saber para se iniciar, ou melhorar, nos caminhos da facilitação, ou seja, a tal da “essência da facilitação”.

A formação dos três facilitadores já prenunciava uma abordagem Antroposófica destes conceitos, já que falaram de seus caminhos de formação, o Programa Germinar, a Art of Hosting e a Adigo (o primeiro e o último são baseados nas teorias antroposóficas).

Falaram sobre as características necessárias a uma boa facilitação e onde esta poderia ser aplicada. E separaram, não explicitamente, mas com certeza de modo contundente, a diferença entre o SER facilitador, o FAZER uma facilitação e as tecnologias, metodologias e ferramentas que se usa nestas facilitações.

E abordaram o SER e FAZER.

Muito interessante colocarem a necessidade de se contextualizar sócio-histórico-culturalmente onde se fará a facilitação e fazer recortes que caracterizam para quem se fará esta facilitação.

E também como fizeram um apanhado do processo civilizatório ocidental, que vem de um coletivo indistinto até a criação do “indivíduo” de um lado, e de outro lado a evolução da comunicação humana, que veio de um “eu” até o coletivo que vemos hoje (midias e redes sociais, sejam digitais ou não, estão aí para exemplificar), com os dois se entrelaçando no momento atual.

Algumas observações pertinentes feitas: a facilitação lida com “perguntas” e não com respostas ou afirmações e a necessidade de se trabalhar as “exclusões” e “inclusões” de pessoas em um grupo.

Por último falaram sobre arquétipos, usando como metáfora a arquitetura (um vídeo que foi passado no início da atividade, foi retomado ao fim dela), usando os “pontos de atenção de um ser humano”, baseados na Antroposofia, PENSAR – cérebro – conteúdo; SENTIR – peito –  interação; QUERER – abdomen – procedimento, e a importância do “sentir” nesse processo de “tocar” o(s) indivíduo(s) com quem se está trabalhando.

Neste sentido, falaram de dois caminhos da aprendizagem, o da (1) Instrução – Pedagogia e o da (2) Descoberta – Andragogia.

O (1) caraterizado pela sensibilização de conceitos  via pensar (o conteúdo é oferecido); sentir (o conteúdo é digerido); querer (o conteúdo busca sua prática). O (2) caracterizado  pela sensibilização de conceitos via querer (a prática é criada); sentir ( a prática é avaliada e compartilhada); pensar (da prática é extraída o conceito).

Se seguiu um debate em que vários colocaram qual prática teria mais sentido ou peso, sendo que em meu caso em particular, por atuar  em equipes e ambientes interdisciplinares e transdisciplinares, os dois caminhos são muito utilizados, o (1) para “nivelar” discursos, definições e conceitos e o (2) para discussão de discursos, definições e conceitos.

Ou seja, as nuances de um consultor, mentor, facilitador, anfitrião, mediador devem ser estudadas, conversadas e definidas, ainda que na prática nem sempre seja possível uma separação clara entre alguns destas funções.

Foi um workshop onde foi-se proposto trabalhar com conceituações e seu objetivo, para mim, foi atingido.

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