Razão Pública X ‘Espertos’

Posted on 21/03/2011

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Razão Pública X ‘Espertos’ – quando há o exagero da especialização?

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Especialização é algo que se vê pesado desde o século XIX e ela em si não deve ser desprezada ou menosprezada, mas às vezes o problema a resolver está tão escancarado, e é tão óbvio, que se deve ouvir quem está no entorno do problema, e não quem está mergulhado nele.

Ou no mínimo consultar tanto um especialista, quanto um generalista.

E o porque disso? A grande crítica na formação de especialistas, e dos profissionais especialistas, é que na maioria das vezes os especialistas não levantam a cabeça para olhar o que está acontecendo fora de seu campo de “expertise”. O que ‘vulgarmente’ se chamaria de olhar o todo, suas partes e seus processos,  e não só suas partes.

Uma boa metáfora para essa situação é  jogador de futebol que não levanta a cabeça para olhar para onde está indo e para onde está mandando a bola. Por melhor que ele seja, nunca vai ser tão bom quanto um jogador que olha para fazer a jogada e olha para onde está mandando a bola.

Um exemplo de agrupamentos de pessoas que resolveram “levantar a cabeça”?

Várias iniciativas visando melhoria do planeta estão indo a campo para resolver problemas. Cansaram de só ficar na zona de teorias/’teorismo’ e aderiram ao “aprender fazendo”.

Um exemplo que vem crescendo cada vez mais, em número de participantes e em relevância, é o Projeto Oásis, ligado ao Instituto Elos e aos Guerreiros sem Armas , e que foram apresentados aos participantes do II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade em 2009.

E aí entramos em um outro “problema”: se não houver sempre um feed-back entre o que acontece no mundo real e entre os generalistas e os especialistas, em todas as áreas do conhecimento, os campos de conhecimento, e seus vários níveis, continuarão estanques, não fluídos, não trabalhando em rede (s), compartimentalizados.

Vários profissionais, de diversas áreas, trabalhando junto por um projeto comum? E todos entendendo o que todos estão falando?
Viva a ‘bendita’ atitude transdisciplinar aplicada à prática… mas por mais que achemos que evoluímos muito ao tratar o conhecimento, se continuamos presos ao “princípio de autoridade do medievo”, ou seja, vamos seguir tal pessoa, tal “autoridade” cegamente, sem nada questionar, sem acrescentar nada…  de que serve a aquisição de conhecimento? E acrescento que embora seguissem muito o princípio de autoridade, no medievo também se discutia muito os conteúdos e as estruturas do saber, quem já estudou algo sobre lógica medieval, mesmo que de leve, sabe disso.

E nós na época dos trans isso, trans aquilo, se não tomarmos cuidado, nos colocamos na verdade numa ‘época das trevas iluminada’: muitos dados, muita informação, mas pouca articulação deles e dela, pouca articulação entre eles e tudo isso atuando como rio represado, que não vai a lugar algum.

Se fossemos castores, esta atitude de acumular ao infinito e represar rios ainda teria algum sentido…

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