Conexão Mooca-Jaçanã (TEDxSP + CEU-Jaçanã)

Posted on 20/03/2011

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Em um fim de semana de 2009, fui à dois eventos.

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O primeiro foi o TEDxSP@tedxsp ) no dia 14 de novembro, doze horas no teatro Anhembi-Morumbi, na Mooca.

Belas propostas,  ótimas palestras, interação, bom papo, boa comida.

Um evento baseado num modelo já exaustivamente testado no exterior, no qual tanto quem se apresenta, quanto quem assiste é escolhido para estar lá.

A proposta principal é fazer palestras de 5 ou 15 minutos para falar sobre algo de sua vida que possa influenciar o mundo. Que faça diferença.
E que todos, platéia, palestrantes, organizadores e cia entrem nesta proposta.

O segundo evento foi no domingo a tarde, a “Mostra de Dança Vocacional Região Norte”, realizada no CEU Jaçanãzona norte de São Paulo.

Faz parte de uma proposta do Departamento de Expansão Cultural – Núcleo Vocacionalda prefeitura.

E para mim foi quase uma ‘epifania’: os dois fizeram tudo o que vi neste fim de semana fazer sentido, e provavelmente muito mais e além disso.

O que os dois tinham em comum?

Nenhum dos dois se realizou nas chamadas “zonas nobres”  de São Paulo. Um na Mooca, Zona Leste, o outro no Jaçanã, Zona Norte.

As duas são  consideradas ‘periferia’. Não são locais onde turistas ‘cool’ vão.  Não existem centros de compras ‘fashion’ em nenhuma das duas.

Os dois foram altamente revolucionários em seu conteúdo.

O movimento que o TEDxSP pretende  ajudar a desencadear é um movimento que quer que o Brasil seja mudado pelos brasileiros. Que eles, brasileiros, os que fazem, os que por diversos motivos influenciam opiniões e cia, comecem a andar e não parem.

Que façam coisas, que realizem coisas, que mudem o Brasil. Passo a passo, mas que mudem o Brasil sendo eles mesmos, fazendo o que eles sabem fazer de melhor.

O que este Núcleo Vocacional, através de artistas de canto, dança e teatro quer fazer é levar arte às pessoas de São Paulo.

Fazem isso colocando estes artistas para orientar pessoas de todas as idades, cores, raças, condição social, ou seja do que for, a dançar, cantar, atuar. Mas estes cursos são predominantemente frequentados pelo povo da periferia. Por alunos de escola pública. Por donas de casa. Por trabalhadores.

Não, não são muitos, mas que espetáculo.

E com direito a apresentação multimidia complementando todas apresentações.

Arte. Ensino-aprendizagem.

Foi isso que vi neste fim de semana.

O que a arte pode fazer pela educação. O que a educação e a arte podem fazer pelo mundo.

Isso não é pouco, isso é que é revolucionário.

Nas turmas que se apresentaram no CEU-Jaçanã fazendo arte, uns estão em nível avançado, outros nível médio, outros iniciantes, outros mais amadores, outros se encaminhando cada vez mais para serem profissionais, mas todos mostrando o que fizeram durante o ano, expressando ARTE.

No CEU, arte e educação, arte e técnica. Mais a tecnologia.

No TEDxSP, arte e educação, arte e técnica. Arte, técnica e ciência, mais a tecnologia.

Arte, arte e arte, como argamassa, como formador de redes, como links, hiperlinks, como…

A arte como o que nos faz voar, ter pensares diferentes, nos desarmar, o que nos permite ser diferentes e aceitar a nossa diferença e a dos outros.

Arte que nos coloca em rede por que nos faz despir de todos nossos esteriótipos e ‘personas’ engessadas e nos faz mergulhar em nós mesmos e nos faz nos entregarmos – com confiança – ao outro.

Como fazer uma peça de teatro sem confiar ? Como se jogar nos braços do outro numa coreografia de dança sem confiar ?

A arte é o que sempre nos salvou. A arte é o que vai nos fazer evoluir.

Não necessariamente  sozinha, mas sempre presente.

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